HISTÓRIAS

Literatura, Agenda Afrolink Literatura, Agenda Afrolink

Orlando Piedade lança “Portugal Preto - O Trilho dos Invisíveis”, na sexta-feira 

O escritor são-tomense Orlando Piedade apresenta na próxima sexta-feira, 2 de Outubro, às 18h, na Embaixada de São Tomé e Príncipe, em Lisboa, o livro “Portugal Preto – O Trilho dos Invisíveis”. Com apresentação da Professora Inocência Mata, o momento vai incluir momentos de poesia, a partir do contributo de Regina Correia. O Afrolink antecipa o que pode encontrar na obra, publicando um excerto da mesma.

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Denúncia, Imigração, Vistos Rede Afrolink Denúncia, Imigração, Vistos Rede Afrolink

“Lisboa – O outro lado da moeda” – exploração legalizada de estudantes africanos? 

Aspirante a documentarista, o gambiano Momar Abdoulie Njie iniciou, em Fevereiro, um processo de candidatura ao curso de Cinema e Televisão da ETIC - Escola de Tecnologias Inovação e Criação, em Lisboa. Sete meses e 4.192 euros de pagamentos depois, Momar continua na Gâmbia, enredado numa teia burocrática que expõe a desprotecção jurídica a que os estudantes africanos estão sujeitos, situação  agravada pela falta de respostas da ETIC, acusada pelo estudante de aproveitamento e coação financeira . Ao Afrolink, o gambiano lamenta que a comunicação social dedique tanto espaço à chamada crise migratória, e ignore o que acontece aos africanos que tentam migrar para a Europa legalmente. “Fazem-nos pagar milhares de euros a instituições de ensino para depois ficarmos enredados em burocracias e sistemas de vistos". Nesta história contada na primeira pessoa, Momar lança a questão: “Estará a arquitetura da migração legal europeia a permitir que instituições extraiam capital de candidatos africanos com zero prestação de serviços educativos e zero responsabilidade?” 

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Serviço, Telecomunicações Paula Cardoso Serviço, Telecomunicações Paula Cardoso

Entre a Europa e os PALOP há uma nova ligação – e dá muito que falar...e poupar 

Em época alta de viagens, o Afrolink foi conhecer uma proposta que facilita comunicações entre os países europeus e os estados africanos de língua oficial portuguesa. Chama-se PalopConnect e permite, por exemplo, aterrar em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe já com acesso à internet a custos controlados, e sem filas nem cartões físicos. Contamos-lhe tudo o que precisa saber. 

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Futebol, História Negra Paula Cardoso Futebol, História Negra Paula Cardoso

Ausência que é Resistência - memórias de quando África boicotou o Mundial de Futebol  

Nesta semana em que se disputa a final do Campeonato do Mundo de Futebol, marcada, fora das quatro linhas, pelos protestos contra as políticas dos EUA e da FIFA, recordamos que, na contracorrente dos conformismos e medos que se alimentam e instigam aqui e ali, sempre houve quem tivesse resistido e combatido. Como as selecções africanas que, em bloco, recusaram participar no Mundial de Inglaterra de 1966, reconhecendo que o que estava em jogo, muito mais do que uma competição, era a dignidade de um continente inteiro. Olhando para esse exemplo, e perante um estado global de resignação e apatia que normaliza os crimes Trumpistas, importa reavivar a importância do boicote como via de contestação e transformação.  

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Opinião Afrolink Opinião Afrolink

Quando a gratuitidade não basta: o concerto d’ Os Tubarões e o acesso desigual à cultura

O Grande Auditório da Fundação Gulbenkian recebeu ontem, 12, um dos concertos mais aguardados da programação do “Jardim de Verão”: Os Tubarões, grupo histórico da música cabo-verdiana cuja trajetória se confunde com a história da Independência de Cabo Verde e da afirmação da identidade cultural africana de língua portuguesa. O concerto, de entrada gratuita, esgotou rapidamente. Mas o que ficou deste dia não foi apenas a celebração da música. Ficou também a desilusão de centenas de pessoas que não conseguiram assistir ao espetáculo, e uma questão que merece ser debatida: o acesso à cultura é verdadeiramente igual quando nem todos partem do mesmo ponto?

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Despertar Negro, Cidadania, Racismo estrutural Rede Afrolink Despertar Negro, Cidadania, Racismo estrutural Rede Afrolink

E se um dia o teu amor não voltasse a casa, que justiça reclamarias?Do bairro à prisão, nem mais um caixão!

Cerca de 1 milhão e 200 mil pessoas votaram num partido abertamente racista e xenófobo nas últimas Legislativas, transformando-o na terceira força política em Portugal. Os alarmes deveriam ter soado bem alto, mas, em vez disso, várias vozes se apressaram a absolver o eleitorado racista, justificando as suas escolhas com “zangas”, “ressentimentos” e “descontentamentos”.  Como se houvesse contexto capaz de tornar aceitável e até justificável o racismo e a xenofobia. Ou como se as pessoas escolhessem propostas racistas inocentemente e sem intenção. Afinal, garante o primeiro-ministro, em Portugal "o ódio e as questões raciais não têm uma natureza de preocupação”. Facto é que a aparente facilidade com que a extrema-direita mobiliza racistas e xenófobos no país contrasta com a dificuldade que o Grupo de Ação Conjunta contra o Racismo e a Xenofobia (GAC) enfrenta para juntar 20 mil assinaturas em defesa da criminalização do racismo. O Afrolink deixa-lhe com o essencial desta iniciativa do GAC, percorrida a partir dos esclarecimentos dos juristas Anizabela Amaral e Nuno Silva, que integram a campanha.

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Isabél Zuaa cancelou espectáculo em Guimarães após ataque racista: “Ia levando com  o microfone na cabeça”

A noite desta quinta-feira, 11, deveria ter sido de estreia do espectáculo “Afro Saloyá”,  de Isabél Zuaa, em Guimarães, mas uma agressão racista, com ameaça física e tentativa de intimidação determinou o cancelamento da apresentação. Para que os factos não sejam distorcidos, a artista multidisciplinar explicou ao público do Pequeno Auditório do Centro Cultural Vila Flor a violência que sofreu durante os ensaios. “Ia levando com o microfone na cabeça”, contou, numa mensagem que o Afrolink partilha em vídeo.

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Uma editora que só publica autores negros? Bem-vinda, Kiala! 

Olhamos para os catálogos dos grupos editoriais, percorremos a programação dos festivais literários, lemos páginas de divulgação e crítica de novos autores e o cenário mantém-se e ostensivamente branco. Da cor do país, dizem uns, rejeitando pintar Portugal a vários tons, sobretudo se estivermos a falar dos mais escuros. A recém-lançada Kiala assume o compromisso de destoar desta palete monocromática, agregando ao mundo editorial não apenas cores que não estão, mas cores que não se quer que estejam. Às páginas tantas, talvez se consiga perceber que o problema não é a Kiala existir. O problema é ter de existir. Eu que vos diga...e digo. 

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A literatura negra tem casa própria e exclusiva em Portugal, e isso promete desalojar preconceitos 

Em 2019 começou por partilhar sugestões de livros, e reflexões sobre a falta de diversidade, autoral e temática, no mundo editorial. De conteúdo em publicação, desbravou páginas, capítulos e títulos, popularizando-se como a autora do “Quem me Lera”, projecto que se tornou assinatura e marca digital. Tradutora, revisora e editora, Elga Fontes lidera agora uma nova chancela – a Kiala – onde o catálogo e a sua produção se constroem a partir de talentos negros. O Afrolink apresenta-lhe esta novidade, que se estreia no mercado com a obra “Feminismo na Periferia”, já à venda, e com apresentação marcada para as 18h30 de 11 de Junho, na Casa do Comum, em Lisboa.

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Reportagem, Educação Paula Cardoso Reportagem, Educação Paula Cardoso

Centrar os estudos no aluno para dar a volta ao meio – como a Gulbenkian quer alargar o mapa do sucesso escolar 

De portas abertas desde o final do ano passado, os Centros de Estudo Gulbenkian acompanham 75 alunos de três bairros da Área Metropolitana de Lisboa, onde as carências socioeconómicas andam de mãos dadas com elevadas taxas de insucesso e abandono escolar. A intervenção, implementada em articulação com agrupamentos de escolas, e a parceria de entidades locais, pretende transformar essa realidade, através de uma rede de dezenas de explicadores, a aposta em três disciplinas – Português, Inglês e Matemática – e o envolvimento das famílias e comunidades. O Afrolink foi até ao bairro do Vale da Amoreira, no município da Moita, para saber mais sobre esta proposta de mudança. 

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Iniciativa, Participação Afrolink Iniciativa, Participação Afrolink

Como podemos melhorar o serviço de imigração em Portugal? Assembleia de Cidadãos Migrantes responde

O tema das Migrações está a marcar o debate público, mobilizando – e polarizando – as agendas políticas e mediáticas.  Entre propostas de alterações legislativas, actualizações estatísticas dos novos fluxos migratórios, e análises sobre o seu impacto no tecido social e serviços públicos, o que têm a dizer os imigrantes que vivem no país? A I Assembleia de Cidadãos Migrantes compromete-se a ouvir e a fazer ouvir os contributos de quem deixou um mundo para trás e escolheu Portugal para viver. 

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Actualidade Afrolink Actualidade Afrolink

PSP desmente André Ventura: cidadãos ajudaram agentes a sair de carro capotado - não o abalroaram

Nas últimas horas, o líder da extrema-direita parlamentar divulgou, nas suas redes sociais, um vídeo com a seguinte legenda: “Na Cruz de Pau (Seixal) um grupo de bandidos perseguiu e abalroou um carro de polícia”. A mensagem, rematada com um apelo à reflexão -“As imagens (...) deviam fazer-nos pensar na selva em que Portugal se está a tornar sem que ninguém faça nada” - foi rapidamente disseminada por outros políticos e fiéis do Chega, unidos na distorção da realidade.  Em busca dos factos, o Afrolink, questionou a  PSP que, através do seu núcleo de imprensa e comunicação institucional, desmente a ficção criada por André Ventura. 

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Entrevista, Dança Rede Afrolink Entrevista, Dança Rede Afrolink

David J. Amado: “Preferia ser atacado e até morrer como sou, do que viver como alguém que não sou”

“A Água Me Leva” é o mais recente filme de David J. Amado, tendo estreado em março em Lisboa, no Avenidas - Um Teatro em Cada Bairro, no âmbito do projeto “Democracy em in Action”. Seguiram-se outras exibições na Casa Capitão e na Associação Passa Sabi, a que se junta uma nova no próximo sábado, 2 de maio, na Rádio Quântica. Após ter assistido à última apresentação, o Afrolink encontrou-se com o produtor, bailarino, e artista na Fundação Gulbenkian. Uma oportunidade para falarmos sobre esta curta-metragem, que vai fazer parte de um projeto maior, intitulado “Depois do Norte”, mas também para conversarmos sobre o livro “Desprotegidos”, que se prepara para lançar.

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Opinião, Denúncia Paula Cardoso Opinião, Denúncia Paula Cardoso

Fui condenada a pagar 26 mil euros de rendas já pagas, por omissão de notificação – onde fica o meu direito à defesa?

À luz da lei existe notificação tácita? Não deve a mesma ser explícita? Não tem o Estado o dever de provar, de forma cabal, que notifica os cidadãos antes de presumir seja o que for? Como entender que a notificação de atribuição de um apoio jurídico seja comunicada de forma expressa e com indicação de prazos de recurso, e que a notificação de não atribuição – aquela que efectivamente atira o cidadão para uma situação de desprotecção jurídica – não o seja? Continuo sem respostas. Continuarei à procura delas. Pela restituição do meu direito à defesa.

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Condenada a pagar 26 mil euros de rendas já pagas, porque a decisão – por mais injusta que seja – está “dentro da lei”

Inacreditável. Absurdo. Distópico. Quando acabarem de ler este texto, talvez vos ocorram outros adjectivos para juntar ao meu actual estado de perplexidade jurídica. Inquilina sem qualquer renda em atraso, mas desde 2024 em disputa com a empresa-senhoria – por esta, à margem das normas, tentar impor a lei do mais forte –, encontro-me na circunstância bizarra de ter sido condenada a pagar cerca de dois anos de rendas já liquidadas. Esta é a crónica de um naufrágio pelo Portugal dos pergaminhos.

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Entrevista, Política Afrolink Entrevista, Política Afrolink

Eva Cruzeiro: “É de um enorme simbolismo ter alguém do hip-hop na Assembleia da República”

Depois de ter dado muito que falar como a grande sensação das listas do PS às últimas Legislativas, Eva Cruzeiro destaca-se como uma das deputadas mais ativas da Assembleia da República, no combate à extrema-direita parlamentar. Firme nas suas intervenções, a também rapper, ativista e investigadora recebeu o Afrolink na ‘Casa da Democracia’, para uma entrevista em que fala do seu papel na política e do impacto do seu mandato, ao mesmo tempo que reflete sobre o enfraquecimento dos partidos tradicionais, e a responsabilidade dos democratas e da comunicação social para a polarização e normalização do discurso de ódio. Sem recuos, afirma: “O hip-hop formou-me, blindou-me, fortificou-me e preparou-me muito bem para lidar com tudo isto”.

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A democracia somos nós, a anti-democracia também. O que o futuro nos reserva?

Numa acção de campanha de Catarina Martins, candidata que tem o meu apoio à Presidência da República, tive a oportunidade de fazer uma intervenção sobre o momento político que vivemos, de recuo democrático e avanço fascista. Aconteceu no passado dia 8, no Clube União Banheirense "O Chinquilho", na Moita, e partilho agora, em vésperas de eleições, a minha intervenção, para recordar que a Democracia somos nós. Votemos por ela! Eu voto com a Catarina! Para que Viva a Democracia.

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Seguimos o ritmo da alma de Anna Joyce, e mergulhamos em “Ondas do Mar”

Aos 10 anos compunha temas infantis, animada pelo sonho de se tornar cantora, talvez como a brasileira Xuxa. Já na adolescência amadureceu letras, depois de também escrever refrões para os amigos rappers, mas foi na fase adulta da vida que a música se tornou carreira, impulsionada por sucessos como “Te Amar”, “Puro”, “Outra Vez”, ou “Curtição”. Agora ligada à Universal Music Portugal, Anna Joyce esteve em Lisboa no último mês de Novembro, e falou com o Afrolink sobre “Ondas do Mar”, escrita a seis mãos, e cantada com Ivandro. A novidade antecipa a estreia da artista angolana no palco do Sagres Campo Pequeno, marcada para 28 de Fevereiro de 2026. Uma oportunidade para conversarmos também sobre os desafios da indústria musical, e os seus quase 12 anos gravações e espectáculos. “Temos ouvido muitas influências de música africana aqui, a serem tratadas por artistas portugueses, o que é muito bom, mas também é bom sermos nós próprios a dar cara à nossa música”.

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“Racismo: uma descolonização em curso”

Ao saber da existência do “Prémio Mário Soares, Liberdade e Democracia” que, a partir de 2025, será atribuído anualmente pela Assembleia da República, não resisti a concorrer. Desde logo porque considero que o meu trabalho contribui, ao encontro do que a distinção se propõe reconhecer, “para a formação da opinião pública, em total liberdade e diversidade de opiniões, no respeito dos valores democráticos, contribuindo dessa forma para o robustecimento da democracia em Portugal e no mundo”. Não é um trabalho isolado, é uma prática, e, por isso mesmo, fui a jogo na opção “relato de actividades”, desconfiada de que talvez seja uma via reservada a organizações não governamentais. Em todo o caso, avancei, e no final da semana passada, fiquei a saber que a jornalista Sofia Craveiro foi a vencedora, com a série de artigos “Arquivos de Media — Memória Sem Garantia de Preservação”, que vale a pena ler, enquanto a historiadora Ângela Coutinho recebeu uma menção honrosa pelo seu “Dossier África”, que vale a pena ouvir. Ficou, assim, demonstrado que, para o júri, o dever de memória merece atenção e premiação, tal como a promoção da participação cívica, distinguida numa segunda menção honrosa, atribuída à associação MyPolis. Espero, por isso, que nas futuras edições do Prémio se compreenda o quanto uma memória colectiva selectiva, como o é a portuguesa, tem fracturado a nossa democracia. Até lá, parabéns, à Sofia pela merecida distinção, e também à Ângela e à MyPolis. Para minha memória, partilho convosco a sinopse que submeti para enquadrar a minha candidatura, composta por um livro (Força Africana), vários textos publicados no Afrolink, um artigo integrado numa publicação académica, e outro numa edição alusiva aos 50 anos do 25 de Abril. Gravei o texto como: “Racismo: uma descolonização em curso”.

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Voando com o inimigo: quem vê o 25 de Abril, a luta contra o fascismo e José Afonso como um ataque?

“Em política não há inimigos, mas sim adversários”. Com algumas adaptações, em diferentes geografias, épocas e línguas, a frase tem sido utilizada para expressar a urbanidade que deve reger o jogo democrático, demarcando-o do terreno de guerra. De um lado há diálogo, debate e construção, dentro de regras que todos aceitam respeitar; do outro impera a violência, a destruição humana e o culto da morte. Esta política de agressão está a impor-se em Portugal, a partir da normalização do Chega que, diariamente, a cada intervenção, declara guerra à Democracia, criminaliza grupos de pessoas, e empurra o país para um abismo fascista. Na última terça-feira, 9, num voo da TAP com partida em Lisboa e em direcção a Bruxelas, uma comitiva desse partido disparou insultos racistas e xenófobos contra pessoas negras que seguiam nessa viagem. Avessos ao cumprimento das mais elementares regras de vida em sociedade, deputados e assessores da extrema-direita parlamentar, liderados por Pedro Pinto – para quem a Polícia em Portugal deve matar mais –, passaram o voo a incomodar-me a mim e a outros passageiros, num coro de grunhidos que escalou no momento da aterragem em Bruxelas. Tudo porque, em protesto, projectei comigo a força das ruas, num sonoro “25 de Abril Sempre, fascismo nunca mais”, e acompanhei o momento com a reprodução do “Grândola, Vila Morena”. Em momento algum me dirigi aos agressores em série que, automaticamente, concertaram urros racistas para me silenciar. Miguel Cardoso, que seguia comigo num grupo que viajou a convite da Representação Portuguesa da Comissão Europeia, entoava a composição de José Afonso, quando Pedro Pinto, igual a si próprio, lhe dirigiu insultos racistas, encerrados com a “ordem”, verbalizada e gesticulada, para se calar. Os confrontos envolveram intervenção policial e, sem surpresa, o Chega fabricou a sua ficção dos acontecimentos, a partir de um vídeo cirurgicamente editado para se arrogar de vítima. Nós não temos um vídeo, mas pergunto-me: quem, para além da Justiça portuguesa, precisa de mais provas para concluir que estamos diante de militantes do ódio, e inimigos da Democracia?

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