A LITERATURA NEGRA TEM CASA PRÓPRIA E EXCLUSIVA EM PORTUGAL, E ISSO PROMETE DESALOJAR PRECONCEITOS
Em 2019 começou por partilhar sugestões de livros, e reflexões sobre a falta de diversidade, autoral e temática, no mundo editorial. De conteúdo em publicação, desbravou páginas, capítulos e títulos, popularizando-se como a autora do “Quem me Lera”, projecto que se tornou assinatura e marca digital. Tradutora, revisora e editora, Elga Fontes lidera agora uma nova chancela – a Kiala – onde o catálogo e a sua produção se constroem a partir de talentos negros. O Afrolink apresenta-lhe esta novidade, que se estreia no mercado com a obra “Feminismo na Periferia”, já à venda, e com apresentação marcada para as 18h30 de 11 de Junho, na Casa do Comum, em Lisboa.
EM DESTAQUE
Olhamos para os catálogos dos grupos editoriais, percorremos a programação dos festivais literários, lemos páginas de divulgação e crítica de novos autores e o cenário mantém-se e ostensivamente branco. Da cor do país, dizem uns, rejeitando pintar Portugal a vários tons, sobretudo se estivermos a falar dos mais escuros. A recém-lançada Kiala assume o compromisso de destoar desta palete monocromática, agregando ao mundo editorial não apenas cores que não estão, mas cores que não se quer que estejam. Às páginas tantas, talvez se consiga perceber que o problema não é a Kiala existir. O problema é ter de existir. Eu que vos diga...e digo.
O tema das Migrações está a marcar o debate público, mobilizando – e polarizando – as agendas políticas e mediáticas. Entre propostas de alterações legislativas, actualizações estatísticas dos novos fluxos migratórios, e análises sobre o seu impacto no tecido social e serviços públicos, o que têm a dizer os imigrantes que vivem no país? A I Assembleia de Cidadãos Migrantes compromete-se a ouvir e a fazer ouvir os contributos de quem deixou um mundo para trás e escolheu Portugal para viver.
Nas últimas horas, o líder da extrema-direita parlamentar divulgou, nas suas redes sociais, um vídeo com a seguinte legenda: “Na Cruz de Pau (Seixal) um grupo de bandidos perseguiu e abalroou um carro de polícia”. A mensagem, rematada com um apelo à reflexão -“As imagens (...) deviam fazer-nos pensar na selva em que Portugal se está a tornar sem que ninguém faça nada” - foi rapidamente disseminada por outros políticos e fiéis do Chega, unidos na distorção da realidade. Em busca dos factos, o Afrolink, questionou a PSP que, através do seu núcleo de imprensa e comunicação institucional, desmente a ficção criada por André Ventura.
“A Água Me Leva” é o mais recente filme de David J. Amado, tendo estreado em março em Lisboa, no Avenidas - Um Teatro em Cada Bairro, no âmbito do projeto “Democracy em in Action”. Seguiram-se outras exibições na Casa Capitão e na Associação Passa Sabi, a que se junta uma nova no próximo sábado, 2 de maio, na Rádio Quântica. Após ter assistido à última apresentação, o Afrolink encontrou-se com o produtor, bailarino, e artista na Fundação Gulbenkian. Uma oportunidade para falarmos sobre esta curta-metragem, que vai fazer parte de um projeto maior, intitulado “Depois do Norte”, mas também para conversarmos sobre o livro “Desprotegidos”, que se prepara para lançar.
À luz da lei existe notificação tácita? Não deve a mesma ser explícita? Não tem o Estado o dever de provar, de forma cabal, que notifica os cidadãos antes de presumir seja o que for? Como entender que a notificação de atribuição de um apoio jurídico seja comunicada de forma expressa e com indicação de prazos de recurso, e que a notificação de não atribuição – aquela que efectivamente atira o cidadão para uma situação de desprotecção jurídica – não o seja? Continuo sem respostas. Continuarei à procura delas. Pela restituição do meu direito à defesa.
Inacreditável. Absurdo. Distópico. Quando acabarem de ler este texto, talvez vos ocorram outros adjectivos para juntar ao meu actual estado de perplexidade jurídica. Inquilina sem qualquer renda em atraso, mas desde 2024 em disputa com a empresa-senhoria – por esta, à margem das normas, tentar impor a lei do mais forte –, encontro-me na circunstância bizarra de ter sido condenada a pagar cerca de dois anos de rendas já liquidadas. Esta é a crónica de um naufrágio pelo Portugal dos pergaminhos.
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ÚLTIMOS ARTIGOS
A Tasca das Artes, na freguesia lisboeta da Penha de França, exibe, no sábado, 20 de Junho, às 18h, o documentário "Complô", de João Miller Guerra, que retrata as agruras vividas por Bruno Furtado, ou simplesmente Ghoya, na luta pela cidadania portuguesa. A sessão vai contar com a presença do rapper e activista.
A Feira Afro Empreendedora do Porto abre portas no próximo sábado, 13, na Casa da Pertença, onde, das 12h às 20h, se constrói “um espaço de celebração, cultura, talento e muito afro-empreendedorismo". A entrada é gratuita.
Na quarta-feira, 10, a partir das 15h30, o CCCV - Centro Cultural Cabo Verde e o projecto editorial Falas Afrikanas juntam-se para uma visita guiada à Feira do Livro de Lisboa. O ponto de encontro é a entrada do Parque Eduardo VII, junto à Praça Marquês de Pombal, e a rota do dia inclui as bancas que vendem livros de autoras de ilhas africanas e caribenhas. A participação é livre.
O Centro de Intervenção para Desenvolvimento Amílcar Cabral, em Picoas, o Auditório 1 da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, na Cidade Universitária, e o Espaço Cultural Mbongi 67, em Monte Abraão acolhem, na próxima semana, o "Colóquio sobre o Legado Cultural e Político de Mário Pinto de Andrade". O programa estende-se ao longo de quatro dias – 25, 28, 29 e 30 de Maio –, apresentando uma exposição arquivística, conferências, painéis temáticos, mesas-redondas, uma sessão cultural e bancas de livros.
Depois da estreia no Porto, no final do ano passado, o monólogo “Hotel Paradoxo”, protagonizado por Marco Mendonça, apresenta-se em Lisboa na próxima semana. De 21 a 23 de Maio, com duas sessões por dia – às 19h e às 22h –, o Planetário da Marinha, em Belém, recebe este espectáculo, escrito e encenado por Alex Cassal.
A dramaturga, criadora e actriz brasileira Keli Freitas assina a direcção artística de um novo projecto participativo do Teatro Nacional D. Maria II, cujo elenco vai integrar pessoas imigrantes, com ou sem experiência na área. Se vive em Lisboa, é imigrante e tem mais de 18 anos, pode candidatar-se.