HISTÓRIAS
Quando a gratuitidade não basta: o concerto d’ Os Tubarões e o acesso desigual à cultura
O Grande Auditório da Fundação Gulbenkian recebeu ontem, 12, um dos concertos mais aguardados da programação do “Jardim de Verão”: Os Tubarões, grupo histórico da música cabo-verdiana cuja trajetória se confunde com a história da Independência de Cabo Verde e da afirmação da identidade cultural africana de língua portuguesa. O concerto, de entrada gratuita, esgotou rapidamente. Mas o que ficou deste dia não foi apenas a celebração da música. Ficou também a desilusão de centenas de pessoas que não conseguiram assistir ao espetáculo, e uma questão que merece ser debatida: o acesso à cultura é verdadeiramente igual quando nem todos partem do mesmo ponto?
Seguimos o ritmo da alma de Anna Joyce, e mergulhamos em “Ondas do Mar”
Aos 10 anos compunha temas infantis, animada pelo sonho de se tornar cantora, talvez como a brasileira Xuxa. Já na adolescência amadureceu letras, depois de também escrever refrões para os amigos rappers, mas foi na fase adulta da vida que a música se tornou carreira, impulsionada por sucessos como “Te Amar”, “Puro”, “Outra Vez”, ou “Curtição”. Agora ligada à Universal Music Portugal, Anna Joyce esteve em Lisboa no último mês de Novembro, e falou com o Afrolink sobre “Ondas do Mar”, escrita a seis mãos, e cantada com Ivandro. A novidade antecipa a estreia da artista angolana no palco do Sagres Campo Pequeno, marcada para 28 de Fevereiro de 2026. Uma oportunidade para conversarmos também sobre os desafios da indústria musical, e os seus quase 12 anos gravações e espectáculos. “Temos ouvido muitas influências de música africana aqui, a serem tratadas por artistas portugueses, o que é muito bom, mas também é bom sermos nós próprios a dar cara à nossa música”.
No “Refúgio” de Luiana Abrantes, música e moda tecem Humanidade
Lançou o primeiro álbum no final do ano passado, e dá-lhe agora nova vida com três músicas gravadas ao vivo. Entre o “Refúgio” de 2024, e o “Refúgio Relaunch” de 2025, Luiana Abrantes ganhou uma distinção no Brasil, e uma bolsa de criação artística em Portugal, sem perder o fio à meada da “Truly Afro”, a marca de roupa que veste a celebração da sua africanidade angolana. Já a trabalhar no novo disco, conversou com o Afrolink sobre a inspiração para compor, o trabalho, a maternidade, a condição feminina, e o défice de humanidade que nos tem vindo a desequilibrar. “O nosso olhar em relação ao outro tem de ser treinado. As pessoas não têm só um lado mau, também têm alguma coisa boa para dar”.