"Afro-quê?!" Em Coimbra questiona-se o que se pergunta, com a afirmação do protagonismo negro
De regresso a Coimbra, a terceira edição do Ciclo Afro-Portugal arranca amanhã, 10, na Casa da Esquina, às 19h, com a inauguração da exposição "O Nosso Lugar no Agora", que tem a curadoria de Carlos Tavares Pedro e Madalena Bindzi. Segue-se, a partir das 17h de sexta-feira, 16, no Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV), a abertura oficial da programação, que vai percorrer toda a cidade, e interrogar-nos: "Afro-quê?!".
Além de marcar presença no TAGC, o Ciclo Afro-Portugal vai passar, até 30 de Outubro, pelo Teatro da Cerca de S. Bernardo, pela Casa da Esquina, a Cena Lusófona, a Casa da Escrita, a Oficina Municipal do Teatro, a Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e a Baixa da cidade.
Neste périplo, a iniciativa "abre espaço para todas as interrogações, indagações, questionamentos, perplexidades, críticas, instabilidades, flutuações, derrocadas, desordens, caos e até mesmo entropias… em torno do prefixo Afro".
Não faltam possibilidades, antecipa a organização, enumerando, na sinopse do ciclo, uma série de afro-afirmações: “Afro-colonial-afro-decolonial-afro-europeu-afro-pessimismo-afro-futurismo-afro-centrado-luso-afro-ancestral-afro-lusófono-afro-diaspórico-afro-performance-afro-tudo-ou-afro-nada……….”.
Com esta edição, pretende-se “interrogar os hífens, como expressão insuficiente da complexidade que reside nos dois lados de tantos elementos hifenados”, traduzindo-se a importância de “solidificar os modos de afirmação das pessoas negras como sujeitos plenos das diversas comunidades em que se movem, e como agentes do seu futuro e das sociedades em que desejam viver”.
Impõe-se, por isso, questionar. “Afinal, quem fala, de quem se fala, para quem se fala? Quantas comunidades, quantas vivências, quantas subjectividades diversas se manifestam no Afro? Quais as suas vozes, próximas e diversas? Que mitos e que realidades? Que liberdades e que ocultações? Que restituições e que apropriações? Que prolongamentos coloniais na celebração de datas redondas? Que presente e futuro dos / para africanos/as e seus países? Que presente e futuro para afrodescendentes neste país?”.
Sejam quais forem as nossas respostas, “Afro-Quê?!” apresenta-se como "uma convocatória artística, ética, social e política para um verdadeiro protagonismo negro no desenho múltiplo e diverso das linguagens, dos saberes, das estéticas e dos imaginários transformadores que podem levar a um mundo mais justo".