HISTÓRIAS
Entre a Europa e os PALOP há uma nova ligação – e dá muito que falar...e poupar
Em época alta de viagens, o Afrolink foi conhecer uma proposta que facilita comunicações entre os países europeus e os estados africanos de língua oficial portuguesa. Chama-se PalopConnect e permite, por exemplo, aterrar em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe já com acesso à internet a custos controlados, e sem filas nem cartões físicos. Contamos-lhe tudo o que precisa saber.
Em época alta de viagens, o Afrolink foi conhecer uma proposta que facilita comunicações entre os países europeus e os estados africanos de língua oficial portuguesa. Chama-se PalopConnect e permite, por exemplo, aterrar em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe já com acesso à internet a custos controlados, e sem filas nem cartões físicos. Contamos-lhe tudo o que precisa saber.
Aterrou num PALOP e ficou incomunicável? Ou será que, tendo acabado de sair do ‘modo de voo’, foi apanhado de surpresa com uma mensagem da sua operadora, alertando-o de que atingiu o plafond em tráfego de dados? Seja como for, a PalopConnect resolve.
“O projecto não é um palpite – nasce de experiência [acumulada] no sector das telecomunicações e da mobilidade”, introduz Anabela Costa, co-fundadora e directora comercial desta proposta, criada a partir de “uma frustração concreta e repetida”, e, por isso, facilmente reconhecível.
“Quem viaja entre a Europa e os países PALOP chega quase sempre desligado”, observa a responsável, lembrando que “o roaming europeu não cobre Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau ou São Tomé e Príncipe, ou cobre a preços proibitivos”.
Apostada em alterar esta realidade, a PalopConnect dispensa-nos do gesto clássico, e nem sempre eficiente, da troca de cartões físicos, substituindo-os por um chip digital – o chamado eSIM. A opção garante acesso à internet a preços controlados, porque ao comprar antes, evita posteriores surpresas de facturação.
O serviço, adianta Anabela, desenvolve-se a partir da especialização do seu parceiro de negócios, que acumula décadas de trabalho na área, aliando “conhecimento técnico do funcionamento dos eSIM e das redes, e a compreensão de como se estrutura conectividade internacional de forma fiável”.
Desde o início de 2025 em desenvolvimento, o lançamento da Palop Connecta acabou por acontecer no primeiro semestre deste ano.
“O caminho teve três fases”, enumera a co-fundadora, antes de descrever as diferentes etapas. Para começar, foi necessário “validar que o problema era real e partilhado”. Para isso, conta Anabela, falou-se “com pessoas das várias comunidades”, e realizou-se estudos de mercado, reveladores de um padrão.
A fase dois envolveu a parte técnica, nomeadamente a necessidade de “encontrar parceiros e fornecedores de eSIM, com cobertura confirmada em todos os corredores PALOP”. Ao mesmo tempo, importava “integrar pagamento e entrega automática, para que a compra fosse instantânea", e “garantir que tudo funcionava”, antes da disponibilização ao grande público.
“Preço justo, transparente, competitivo e sem surpresas”
Segundo os promotores deste serviço, “o maior desafio foi, e continua a ser, a fragmentação”, tendo em conta que cada PALOP “tem realidades de rede e custos diferentes”.
As disparidades, realça Anabela, tornam ainda mais trabalhoso “construir uma oferta coerente sobre essa diversidade”. Daí também a importância das alianças locais.
“A PalopConnect já conta com parceiros a utilizar e a testar o serviço em diferentes mercados”, assinala a directora comercial, adiantando que o projecto já tem, em Cabo Verde, “um parceiro activo, que comercializa os eSIMs junto dos seus clientes”.
O resultado salta à vista, nota Anabela. “O feedback tem sido positivo: apesar de surgirem, pontualmente, algumas dúvidas na fase de instalação, o que os viajantes mais destacam é a conveniência de chegar ao destino já com acesso à internet, sem filas e sem cartões físicos".
A directora-comercial da PalopConnect esclarece ainda que, nesta fase inicial, os constrangimentos nada “têm que ver com o funcionamento do serviço em si, mas com a compatibilidade dos equipamentos”, porque “alguns modelos de telemóvel mais antigos não suportam a tecnologia eSIM”, impossibilitando a instalação.
Nesta etapa alargada a todos os PALOP – Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe –, a PalopConnect adianta que “a procura mais forte está na diáspora em Portugal”, por pessoas que viajam regularmente para os países de origem, onde mantêm laços familiares.
“Estar ligado à chegada não é conveniência, é necessidade”, reitera Anabela, adiantando que Moçambique, Cabo Verde e Angola são os destinos mais frequentes. Neste sentido, a expansão do projecto passa por aprofundar a oferta para esses destinos, onde os tarifários “refletem o custo real de conectividade em cada país, que varia bastante”, em função “da infraestrutura local e dos acordos de interligação de cada rede”.
Por exemplo, 3GB de dados custam 9,90€ em Moçambique, valor que em Angola sobe para 34,90€.
“O nosso trabalho é absorver essa complexidade nos bastidores, e apresentar ao cliente um preço justo, transparente, competitivo e, acima de tudo, sem surpresas”.
A oferta da PalopConnect estende-se também a quem chega ao espaço europeu, destino que no Verão e Natal também se torna central para muitas ligações familiares entre PALOP e diáspora.
A pensar nos próximos voos, Anabela Costa sublinha que “um bom resultado não se mede só em vendas”, mas sim no fortalecimento da comunidade PALOP, através da facilitação de idas e vindas. Isso passa por valorizar a experiência de poder chegar ao destino e estar logo ligado, “sem stress, e sem pagar uma fortuna”.