Património Cultural de Moçambique no Futebol em colóquio e exposição
Numa iniciativa conjunta, o Museu Nacional de Etnologia e o Museu Benfica - Cosme Damião apresentam, na próxima semana, a exposição “Fintar a Vida: Caniço, Futebol e o Estado Novo” e o colóquio “Etnografia do Golo: o Património Cultural de Moçambique no Futebol”. A mostra pode ser visitada de 15 de Maio a 29 de Setembro no Museu de Etnologia – com inauguração na quinta-feira, 14, às 18h –, enquanto o colóquio acontece no sábado, 16, a partir das 15h, no auditório do Museu Benfica.
Com dois painéis, – o primeiro intitulado “Caniço, berço do futebol moçambicano”, e o segundo “Lendas, legado e memória” –, o colóquio tem entrada livre, embora reservada a inscrições, estando o encerramento previsto para as 17h30.
Mas a programação da tarde não termina no Museu Benfica, seguindo em direcção a Belém, para uma visita guiada à exposição “Fintar a Vida: Caniço, Futebol e o Estado Novo”, patente no Museu Nacional de Etnologia.
Os dois momentos combinam-se para estimular uma reflexão sobre Moçambique, analisando o futebol no país, enquanto se promove o diálogo entre as colecções de ambos os museus.
No auditório do Museu Benfica, o programa inclui:
PAINEL I – Caniço, berço do futebol moçambicano, com moderação de Paula Cardoso, fundadora da rede Afrolink, e as participações de António Pinto, do Centro de Documentação e Informação do Sport Lisboa e Benfica; Gonçalo de Carvalho Amaro, director do Museu Nacional de Etnologia; Nuno Domingos, antropólogo e investigador ICS; e Ana Godinho, curadora de colecções de etnografia e arqueologia no Museu Nacional de História Natural e da Ciência da Universidade de Lisboa (MUHNAC-ULisboa).
PAINEL II – Lendas, legado e memória, com moderação de José Neves, dada Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova; Lívio de Morais, professor e artista; Rui Miguel Tovar, jornalista desportivo; Sandra Ferreira, filha de Eusébio da Silva Ferreira; Yolanda Coluna, filha de Mário Coluna; e Shéu Han, glória benfiquista.
Já no Museu Nacional de Etnologia, a exposição tem “como ponto de partida os jogadores de futebol nascidos nos subúrbios da capital moçambicana que alcançaram o estatuto de vedetas mediáticas na metrópole – como Matateu, Coluna, Hilário, Vicente e Eusébio”, revelando como esta ascensão social representou uma excepção no sistema laboral de Lourenço Marques [hoje Maputo], cuja organização racializada bloqueou os projectos de vida da maioria dos africanos”.
A mostra procura igualmente “reflectir sobre a forma como o sucesso destes atletas foi apropriado pelo discurso oficial do regime, que, em oposição à realidade de exclusão e desigualdade vivida pela maioria da população africana nos territórios ultramarinos, procurou projectar uma imagem de integração e harmonia racial no império português”.
Mais informações sobre a exposição
Moradas: Museu Benfica - Estádio do Sport Lisboa e Benfica, Av. Eusébio da Silva Ferreira Porta 9, 1500-313 Lisboa
Museu Nacional e Etnologia, Av. da Ilha da Madeira, 1400-203 Lisboa